(2/2) O papel ético da educação



O desconhecimento da felicidade, da justiça, da harmonia, do bem e da paz em sua manifestação genuína leva o homem a confundir excelência existencial com toda sorte de sensações, experiências, conhecimento ou percepções. Com efeito, não é possível ensinar nada daquela natureza, senão estimular o aparecimento da essência em ações. O significado e o objetivo mais profundo de educação consistem justamente nisso: tornar explícito o que já é implicitamente.

No texto anterior nos esforçamos para mostrar que a religiosidade propõe uma ética baseada em princípios intrínsecos dirigidos por uma razão esclarecida e madura. Nesse sentido, podemos vislumbrar os rumos para os quais a educação precisa seguir: deixar de ser transcendente para se tornar imanente. Por conseguinte, deverá inevitavelmente propor e incentivar aquilo que há milênios já é cantado pela sabedoria humana: “conhece-te a ti mesmo”. Assim, o indivíduo educado será bom de maneira livre e espontânea em função de sua própria natureza, não por medo de alguma contrapartida punitiva exterior (ROHDEN, 2005, p.43).

O sistema educacional vigente é eminentemente (e precariamente) instrutivo, priorizando a transmissão de conteúdo e a fabricação de diplomas, ao passo que a educação tem como escopo ajudar na formação de cidadãos conscientes e de apurada sensibilidade social, ajudando-os na compreensão e na realização de suas aspirações mais nobres, sobretudo no despertamento e no amadurecimento de sua consciência. Embora a instrução complemente a educação, esta última é notadamente de caráter superior. Tal diferenciação nos permite perceber a razão pela qual é possível existir indivíduos de elevada erudição, de aparente sapiência, mas de atitudes e pensamentos infra-humanos. A educação é fundamentalmente o processo pelo qual o homem animal vem a se tornar humano. Sobre isso, o filósofo e educador Huberto Rohden, esclarece:

A instrução tem por fim fornecer ao homem o conhecimento e uso dos objetos necessários para sua vida profissional. A educação tem por fim despertar e desenvolver no homem os valores da natureza humana; porquanto a natureza humana existe em cada indivíduo apenas em forma potencial, embrionária.
O homem de ciência é um descobridor de fatos – o homem de consciência é um creador de valores.
Instrução e educação são como duas linhas paralelas que não convergem (se favorecem), nem divergem (se desfavorecem).
Somente um homem educado pela consciência dos valores é que pode servir de pedra fundamental da harmonia social e da paz mundial. Quando a ciência se integrar totalmente na consciência, então o mundo terá paz e ordem universal (2007, p. 29 e 30). 


Com efeito, o homem só pode educar-se por si mesmo, pois ninguém age verdadeiramente em função de valores que não tenham sido construídos em si próprio. No entanto é notória a necessidade de agentes propiciadores dessa educação, quais sejam, homens e mulheres capazes de despertar no educando a vontade de eduzir de si o conteúdo que jaz em sua intimidade. Poderíamos afirmar que aqui se encontra um problema insolúvel: a escassez de pessoas com tais atributos. É, contudo, aparente tal insolubilidade, embora exija grande esforço e dedicação. Tanto educador quanto educando estão imersos na cadeia de relações humanas, cuja característica mais visível é o potencial de troca de experiências e saberes entre os participantes. Portanto, apesar de o educador estar numa posição de agente e o educando de agido, ambos coagem um ao outro num processo educacional mútuo. A responsabilidade será sempre maior para aquele que está a frente (educador), sem que isso signifique detenção de poder sobre os tutelados, já que aquele que se propõe a ensinar precisa ter em mente que deve agir de acordo com a força da natureza de seu ofício.

O nosso dizer e fazer só exerce impacto decisivo quando radica na plenitude do nosso verdadeiro ser – que requer autoeducação. O nosso dizer e fazer são canais, que têm de receber conteúdo do nosso ser. De maneira que o impacto que o educador exerce sobre o educando é apenas indireto, dependente do próprio educador. [...] Se no educando não existe receptividade e ressonância propícia, o melhor dos educadores não pode educar ou converter o educando (ROHDEN: 2007, p. 17).

Uma educação de raízes imanentes tem como finalidade a mesma proposta dada pelo Iluminismo e pela noção mais profunda de religiosidade: libertar o homem de sua minoridade racional e direcioná-lo para uma existência consciente e coletiva. O modelo educacional prepara o aluno para uma sociedade individualista e ardentemente competitiva, um contra todos, com isso a ideia de sociedade perde totalmente seu sentido, porquanto se mostra muito mais como indivíduos desconectados uns dos outros. Enquanto que a proposta deste texto é tocar a superfície de um modelo educacional que prepara indivíduos no interior de uma coletividade, a despeito de quaisquer diferenças, tomando como medida das ações a natureza conciliatória, racional e progressista da essência humana que está latente em cada um. Em suma, é agir em função daquilo que é; entender a realidade como aquilo que permeia a tudo e a todos, por conseguinte, se o homem pretende mudar algum aspecto da realidade, que comece por si próprio, não delegando o trabalho que lhe compete a outrem, ponderando, contudo, o peso de suas ações, pois é imbuído de tal responsabilidade que evitará afetar o todo.

Com as considerações acima pretendemos mostrar singelamente o verdadeiro escopo da Religião; de que maneira a religiosidade, se bem compreendida, vai de encontro aos valores extrínsecos professados pelas organizações religiosas. De alguma forma, seguimos o caminho iluminista na busca de conceitos e não concepções eivadas de preconceito.

Em nossa visão, a ética não é mera convenção social, mas a manifestação da natureza humana, imanente a cada indivíduo dotado de razão. Dessa forma, ela é universal, ou seja, una nos (di)versos campos.

O modelo educacional muito superficialmente apresentado é um vislumbre de um caminho possível, difícil, não utópico, pois prioriza a potência humana de transformação, de elucidação e autoconhecimento cabendo somente ao homem e somente a ele – não a sistemas econômicos ou políticos – a construção de uma sociedade justa.

Por fim, compreendemos a liberdade não no sentido tradicional de se desconectar de amarras externas, mas na conotação dada por Gandhi(1)  e Spinoza(2) , promovida pela consciência madura e pela racionalidade apurada.

 (1) A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”. (Gandhi)
 (2) “Liberdade é reconhecer-se como causa eficiente interna, afastando-se totalmente das ilusões externas”. (Spinoza)

REFERÊNCIAS
ROHDEN, Huberto. Novos rumos para a educação. São Paulo: Martin Claret, 2005
_______. Educação do Homem Integral. São Paulo: Martin Claret, 2007

(1/2) Religiosidade: considerações sobre ética e liberdade

O ambiente ético está no domínio do ambiente humano, de maneira tal que podemos entendê-los
como equivalentes, tomando como medida o fato de que a ética é um campo regido por normas, princípios e valores, cuja existência se dá somente em meio aos grupos constituídos por seres dotados de razão e consciência.

Um dos grandes problemas éticos gira em torno da (falta de) compreensão da verdadeira natureza da liberdade. No bojo de liberdade estão contidas as noções de individualidade, de vontade e do poder de escolhas, atingindo, por conseguinte o campo das relações. Em outras palavras, trata-se do dificílimo ambiente dentro do qual indivíduos buscam harmonizar-se em coletividade sem prejuízo às suas características e caráteres.

Debruçar-se sobre o tema é tarefa das mais árduas, pois ela pede que o observador caminhe pelos meandros mais complexos para o ser humano, isto é, a própria natureza humana! Neste sentido o enfoque principal não se dirige apenas aos fenômenos ou processos extrínsecos, mas especialmente ao pantanoso terreno do âmbito intrínseco do ser humano. Assim, entender as razões pelas quais a violência – por exemplo - emerge na sociedade requer ir além das discrepâncias socioeconômicas, pede que enxerguemos não os fenômenos, mas os estados de ser. A ciência tende a refutar fatores subjetivos, mas o ambiente ético é totalmente subjetivo, logo é necessário que tenhamos como elementos de estudo fatores como a ganância, a cobiça, a vaidade, o egoísmo, dentre tantas outras peculiaridades do ambiente ético, isto é, humano.

O afastamento da subjetividade pela ciência é plausível, levando em conta que a construção do conhecimento deve ser livre de sentidos, o mais objetivo possível, pois só assim é passível de tornar-se universal. Por outro lado, a ética tem sido objeto da filosofia, mas é nos domínios da religiosidade que os estados de ser da natureza humana são mais profundamente perscrutados.

Homem, Hominalidade, Humanidade

Qual é a natureza do homem e o que o torna diferente dos outros seres viventes? Que ele é um animal, não é razoável negar, tampouco podemos excluir de sua constituição a racionalidade. Digamos, portanto, que a hominalidade consiste na conjunção entre racionalidade e animalidade. O homem, desde modo, é um ser dotado de duas inteligências: uma autônoma e outra volitiva, a saber, instintiva e racional, respectivamente. Com efeito, em linhas gerais essa é a concepção mais comum sobre a natureza humana.

Os instintos operam em função da sobrevivência e conservação da vida orgânica, enquanto que a razão tem como principal escopo bem conduzir a vontade humana. O primeiro é limitado e está vinculado às necessidades mais básicas, enquanto que a segunda tem o poder de transcender a si mesma, de progredir, de evoluir e de sublimar a própria condição. Deste modo, o animal comum, instintivo, vive em função de sua subsistência unicamente, limitado ao habitat que a natureza lhe impõe desde o nascimento; já o homem tem a capacidade de construir um mundo próprio (civilização, cultura), de criar algo além do estritamente dado. Em suma, o que distingue os homens é a sua capacidade de fazer vir a ser e, mediante a própria destreza, instaurar seu lugar no mundo, enquanto que os demais animais estão absorvidos completamente no mero viver repetitivo.

O ser humano nasce pronto, mas não realizado. De fato, é considerável que jamais cheguemos aos limites de nós mesmos, mas é razoável conceber uma finalidade para nossas existências. A razão é progressista, por isso está sempre envolvida com o aperfeiçoamento de seus objetos. A condição humana como um todo está fadada a atingir estados mais depurados, ou seja, enquanto seres humanos estamos inclinados naturalmente à justiça, à felicidade, à civilidade e ao bem coletivo, pois estas não são apenas virtudes, mas a finalidade para qual todo homem intrinsecamente se dirige. Quanto mais estreita for a distancia entre nós e as virtudes, mais consistentemente manifestaremos a nossa essência humana (humanidade), ao passo que do afastamento daquelas nos aproximamos do primitivismo, de tal modo que ser homem nem sempre decorre ser humano...

Batalha Interior


Vi-me descendo por uma das estradas da favela, pela claridade ainda muito tímida, suponho que a madrugada estava em seu fim. Contudo, isso não fazia a menor diferença. Não era a primeira vez que passava por ali durante o sono físico, o local estava sempre permeado por um ar carregado, envolvido por uma espécie de luz ou neblina cinzenta. Durante a descida vi pouquíssimas pessoas, umas delas se dirigiu a mim amigavelmente perguntando quando eu aparecia por lá novamente. Ainda estava confuso, sem consciência do que de fato eu fazia, porém intuitivamente sabia a que lugar o rapaz se referia. Respondi, sem cessar os passos, acenando e sorrindo.

Instantes depois parei em frente a uma residência comum, sem nenhuma característica singular que a destacasse das demais. Parado, senti presenças cujas identidades meu coração logo identificou, mas por diferenças vibratórias eu não pude vê-las. Mais confiante, sem no entanto saber exatamente o que eu estava fazendo ali, observei um rapaz vestido todo de branco vindo em minha direção, um rosto conhecido, muito familiar.

- Vem! - disse ele sorrindo, me convidando para entrar.



O ambiente interno tinha apenas um cômodo, ligeiramente retangular, como um corredor curto com paredes mais afastadas. No fundo, na parede oposta à porta por onde entrei, havia um homem sentado numa poltrona grande e confortável. Alto, esguio com semblante sisudo e um leve sorriso no canto dos olhos. Ao me aproximar, perguntou:

- Você queria conversar comigo? - disse ele, sem floreios.
- Não sei... queria? - respondi sem jeito, pois de fato não me recordava de solicitar nenhum encontro.

Percebendo minha surpresa ou esquecimento, o homem - que eu já havia compreendido ser um exu - com sua peculiar objetividade, continuou:

- Está pronto para a guerra? - a pergunta veio seguida de uma gargalhada típica dos exus.

Não respondi com palavras, mas olhando fixamente para o meu interlocutor, pensei comigo mesmo num átimo de segundo... "transição planetária, fim dos tempos, autoconhecimento..." Eu sabia de antemão do momento espiritual delicado pelo qual estamos passando. A primeira guerra -a mais decisiva - é a nossa batalha interior, mas há outras se intensificando, o astral inferior está agitado, o mundo físico turbulento... Para um bom entendedor...

O exu deixava que eu digerisse aquelas ideias, sabendo que eu tinha certa consciência do significado daquela pergunta.

Continuei parado, ainda sem saber o que dizer, inseguro, mas certo de que não havia outra saída senão ir para batalha, sem medo, começando por mim mesmo.

- Você está muito bem - e com um gesto suave apontou para meu peito - veja você mesmo.

Abaixei a cabeça e vi um raio de luz azul claro saindo do meu coração em direção ao infinito. Neste momento senti com mais força os amigos invisíveis... o mestre da luz dourada e a guardiã dos meus passos, mas havia mais alguém.. olhei para trás e vi sorrindo, vestido de branco e envolvido por uma tênue luz branca...

Abri meus olhos físicos, mais um dia de batalha!




Rascunhos no Tempo


[...]

"Ele está pronto", disse um deles.
"Pronto para o quê?", pensei comigo mesmo, tranquilo e curioso.

Naquele instante fui levado a uma sala cuja arquitetura destoava daquela existente nos cômodos que tinha visitado até então. O local era amplo, teto alto com paredes de vidro, com estrutura futurista, porém sem luxo ou exageros, dotado de simplicidade meticulosa que tornava o ambiente bastante agradável.

Lá dentro vi mais duas ou três pessoas que se vestiam igualmente ao meus acompanhantes, todos me observavam com olhares amigos. Além delas pude sentir outras presenças, as quais não consegui enxergar, apenas entrever intuitivamente. Estas companhias invisíveis tomaram a frente do pequeno grupo que me conduzia. A companhia de todos, visíveis e invisíveis, não era estranha, havia um ar familiar, um carinho, uma amizade que me deixava calmo e confortável, fazendo com que eu os seguisse sem medo ou insegurança...

À minha esquerda haviam mesas retangulares com cadeiras dispostas de forma muito bem organizada, não eram muitas, no máximo 20. Não tinham paredes separando o ambiente no qual as mesas estavam do restante da sala futurista, a única diferença é que ficavam um degrau acima do nível do chão. Parecia um tipo de laboratório, sala de aula ou biblioteca.
Não sei se por impulso próprio ou pela força carinhosa dos meus acompanhantes, fui atraído para uma mesa específica que ficava na última fileira. Sobre ela havia muita poeira e um livro ou caderno, parecia que seu dono não a utilizava há tempos, e por respeito a ele ninguém mais também mexia nela. Era a única naquela situação, a única suja e aparentemente abandonada.

Já bem próximo da mesa senti algo estranho e ao mesmo tempo familiar... confuso e emocionado tive a certeza de que aquele lugar era meu, a mesa com o caderno/livro eram meus! Um passo atrás de mim vi intuitivamente meus amigos - sim, eu já tinha os reconhecido assim - homens e mulheres se uniam em um abraço ansioso esperando minha reação... ouvi uma voz me incentivando a abrir o caderno/livro e ver o que estava escrito, o que eu havia escrito.

"Veja, você escreveu algumas coisas para explicar..."

Ao folhear aquelas anotações senti que de alguma forma eu não era mais eu, porém me sentia completo! Senti minha personalidade atual, meu nome atual apenas como uma parte de uma jornada longa. Dentro de mim milênios, quem sabe milhões de anos, se passaram num átimo de segundo. Não era mais eu mesmo, porém não deixava de ser quem eu sou.
Ali parado, pensativo e emocionado, estava limpando a poeira do meu passado, resgatando a parte do meu ser que havia abandonado. Mas ainda há muito por caminhar, infinitas páginas em branco esperam para ser escritas. Como um analfabeto do espírito sigo aprendendo a escrever, melhorar a caligrafia do meu coração até que um dia eu deixe de ser apenas um errante do tempo e me torne um poeta, um filósofo na Eternidade...

Reencontro



Era um encontro sonhado por mim. Há tempos sentia o toque amigo e amoroso que invisivelmente me conduzia à sua presença. Chegado o dia, nada consegui dizer, as inúmeras perguntas emudeceram totalmente. Naquele olhar sereno, puro e repleto de compreensão não havia qualquer julgamento, nenhuma repreensão. Instantes de silêncio... senti-me nú, não a nudez física, mas a ausência total de qualquer cobertura que escondesse a intimidade do meu ser. Não havia mentiras, dissimulações. Aquele olhar era como um espelho, e eu me via nele, somente eu me julgava, somente minha consciência me punha num tribunal... Envergonhado, apenas chorava cabisbaixo, incapaz de levantar novamente o olhar.
Breves palavras emanaram de seu ser, não pela boca, ele falava por inteiro. Finalmente, num lapso de coragem, levantei os olhos em sua direção, em seus lábios um sorriso que me abraçava inteiramente... mais lágrimas transbordaram do meu coração, cada gota uma história, dores e vitórias, tropeços e acertos, era eu mesmo, líquido e salgado, eterno e finito, impuro e puro, morto e imortal...

Relativismo - reflexões suscintas

O relativismo foi universalizado. A verdade se tornou um mero instrumento de conveniência. Com isso meias verdades são propagadas, e meias verdades são meias mentiras, tão perniciosas quanto uma ideia de absoluto inquestionável, pois nos leva a perder os parâmetros reais do que é certo ou errado. De fato, não há uma verdade universal, contudo, existe uma essência ética que atravessa a todos os âmbitos de nossas vidas, orientando para um norte comum, apaziguador e harmonizador das relações. Agir de acordo com esta ética requer concessões de todos os lados da sociedade a fim de que imposições de nichos sociais não prevaleçam sobre a coletividade. As ações devem ser presididas pela razão, sem se afastar da empatia nem da sensibilidade, e jamais se confundindo com a fria e envernizada intelectualidade arrogante.
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Defender os direitos humanos é legítimo e necessário desde que os deveres humanos não sejam desprezados, assim evita-se privilégios e abusos. Esta premissa básica não está no âmbito das relativizações, pois sua essência guarda a simplicidade e objetividade de uma máxima tão proclamada e pouco realizada, constantemente olvidada pela nunca ausente hipocrisia humana: "Faça com os outros o que você gostaria que fizessem com você".
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Está em voga o mote da "desconstrução de valores" que problematiza demasiadamente sem propor nada de construtivo e renovador. Longe de defender um conservadorismo exacerbado ou uma moral religiosa espúria, observo as atividades ditas "progressistas" com um olhar o mais ponderado possível, tentando encontrar alguma razoabilidade em suas manifestações. No entanto, assentada a nuvem de poeira, aparecem os escombros do edifício de valores "retrógrados" sobre os quais é hasteada a bandeira niilista cujo símbolo lembra um grande ponto de interrogação como que perguntando "e agora?".