Do sensível ao inteligível

  
O ser humano como criatura pensante tende sempre a buscar o sentido das coisas, por conseguinte não se basta com a mera percepção sensória da realidade. Para ele é fundamental e vital compreender o mundo em sua completude, do simples ao complexo, do ínfimo ao extraordinário, do finito ao infinito, do tempo à eternidade.

   Há uma permanente inquietação no homem que o faz burilar, perscrutar, investigar, questionar, vasculhar o mundo à sua volta. Desde os primeiros lampejos de sua individualidade se vê cativo de constante voz que o atrai para divagações implicadas em descobrir a causa das coisas, o porquê destas existirem. Antes mesmo de assenhorar-se da própria vontade tem sua atenção atraída de tal maneira angustiante que, involuntariamente, é impelido ao encontro da essência da realidade pelos meandros do pensamento. Os semelhantes se reconhecem e se atraem, daí o espanto e a admiração do homem em face do mundo, pressentindo o ser das coisas, pois ele próprio é e carece do contato com aquilo que sustenta e dá formas aos fenômenos que constituem a existência.