O Perceptível Oculto

O pensamento não está no cérebro, assim como o sentimento não está no coração.
A razão, a sensibilidade e o entendimento são inerentes à natureza daquilo que verdadeiramente pensa, sente e compreende. Deste modo, as mais belas e profundas palavras não falam simplesmente, elas saem do íntimo de quem as profere e tocam o todo de seu interlocutor. Palavra, portanto, não quer significar apenas a verbalização de sons ou a concatenação de símbolos gráficos, mas toda e qualquer forma de expressão do ser, por conseguinte, tudo aquilo que exprime a essência eterna e imortal do ente vivente.

Senti-mental



Todo pensar reflete um sentir e vice-versa. Ambos, sentimento e pensamento, estão intimamente ligados como o calor e a chama. Separá-los, portanto, é como tirar o brilho intrínseco da luz.
Ser racional não significa abdicar das emoções em função da primazia mental. O ser puramente mental é como uma vela apagada, já o excessivamente emocional se compara a uma fogueira que se alastra sem controle, incinerando o mundo ao seu redor indiscriminadamente.
 

A Natureza - da qual o ser humano é parte - foi, é e sempre será o único livro escrito pelo Infinito, nela estão todos os ensinamentos que podemos absorver. As árvores são grandes símbolos de perseverança, o Sol a linda representação da Vida.
 

Não olhe para o universo como quem olha para um lugar que está "lá fora", olhe para as estrelas certo de que o "lá" e o "aqui" são meras questões do entendimento. A Realidade, o verdadeiro Sentido prescinde de palavras, o Verbo altiloquente que se exprime silenciosamente.

Do sensível ao inteligível

  
O ser humano como criatura pensante tende sempre a buscar o sentido das coisas, por conseguinte não se basta com a mera percepção sensória da realidade. Para ele é fundamental e vital compreender o mundo em sua completude, do simples ao complexo, do ínfimo ao extraordinário, do finito ao infinito, do tempo à eternidade.

   Há uma permanente inquietação no homem que o faz burilar, perscrutar, investigar, questionar, vasculhar o mundo à sua volta. Desde os primeiros lampejos de sua individualidade se vê cativo de constante voz que o atrai para divagações implicadas em descobrir a causa das coisas, o porquê destas existirem. Antes mesmo de assenhorar-se da própria vontade tem sua atenção atraída de tal maneira angustiante que, involuntariamente, é impelido ao encontro da essência da realidade pelos meandros do pensamento. Os semelhantes se reconhecem e se atraem, daí o espanto e a admiração do homem em face do mundo, pressentindo o ser das coisas, pois ele próprio é e carece do contato com aquilo que sustenta e dá formas aos fenômenos que constituem a existência.