No Mundo do Faz-de-Conta

   Uma noite, deitei e fechei os olhos. Pedi para Deus me levar a um lugar no qual pudesse descansar o espírito.
   Imergi num estado de contemplação e comecei a imaginar um mundo de rara beleza e de paz. Um lugar onde não houvesse espaço para nada de ruim. Subitamente, me vi em um ambiente diferente... um local de magnífica e rara beleza.   Ao me deparar com todo aquele espetáculo de vida, senti uma agradável leveza e me permiti voar. Por alguns instantes pude me deliciar com a suave e fragrante atmosfera daquele paraíso.

   Lá, as pessoas tinham o semblante sereno, emoldurado com um sorriso doce e permanente. Eram todos belos, uma beleza interior que transbordava como uma claridade radiante. Havia uma aura de fraternidade, corroboradas pelas atitudes dos nativos daquele mundo, o ambiente como um todo era um convite ao amor e à felicidade.
   Impossível não se sentir bem naquele lugar! Tudo era mágico, brilhante e deslumbrante! Todas as formas de vida eram fascinantes; os animais eram dóceis e as plantas pareciam dançar ao sopro da brisa confortante. No céu, um espetáculo: estrelas, planetas, astros dançando sob uma melodia silenciosa e inspiradora.
   Sentei e fiquei observando cada detalhe daquele mundo perfeito. Pensei como seria maravilhoso viver ali... em seguida, como se desfizesse o devaneio, abaixei a cabeça e lembrei que toda aquela fascinante experiência era fruto da minha imaginação... Foi quando percebi o quanto havia me deixado levar pela fantasia. Frustrado, entristeci-me...
   Inesperadamente alguém tocou meu ombro, era um nativo. Ele me incentivou a continuar acreditando e pediu que não ficasse triste por que eu viveria ali um dia. Sacudi a cabeça tentando afastar outro devaneio de minha alma sonhadora e pueril. Com certeza aquele habitante amável e amigo seria fruto da minha imaginação. O ser iluminado, com um largo sorriso no rosto, reiterou o que acabara de afirmar: com absoluta certeza eu viveria naquele paraíso! Confuso e magnetizado pela energia sutil que emanava do meu interlocutor, perguntei quem seria ele para ter tanta convicção do que acabara de me confessar. Com alegria nos olhos, ouvi:
- Eu sou você no futuro!