Seguindo o Sol

     Inúmeras vezes fui fraco e tombei na escuridão dos meus erros. Cedi mente, inteligência e forças ao orgulho, à vaidade, ao egoísmo, à maledicência, ao ódio, à luxuria, ao medo...
  Por muitas vezes fui burro, prepotente e arrogante gritando aos quatro cantos do mundo que eu era o senhor de tudo que me rodeava. Tantos milênios de surdez e cegueira, séculos e séculos de estupidez e ridícula postura diante da Vida.
  Desci ao fundo do abismo da minha própria ignorância. Nadei em pântanos imundos, fui humilhado por muitos que fiz chorar. O sofrimento a mim imposto pelas minhas vítimas eram como um bálsamo se comparadas a dor de minha consciência... vislumbrei segundo por segundo todas as minhas selvagerias. Sofri dores morais atrozes, não há juiz mais cruel do a lucidez dos erros cometidos... Contudo, mesmo vendo-me como um ser deplorável, nunca fui abandonado por Aquele que dá vida aos vivos.
  Sem forças para levantar, recebi ajuda, fui chamado de irmão, recebi amor, afeto, carinho, atenção, cuidados especiais mesmo quando merecia ser esquecido pelo resto dos tempos! A luz que emanava daqueles corações me tirou das trevas e me fez enxergar toda sujeira e podridão existentes em mim. Jamais tinha sentido tamanha dor como a da vergonha e do remorso!

  Eu achava que ser forte era vencer todos os inimigos externos, que jamais deveria sentir compaixão ou perdão por ninguém. Entretanto, fui vencido por um poder muito maior, embora deveras sutil. Como o vento e a água que moldam a pedra bruta no decorrer das eras, assim está sendo comigo. Eu, o espírito, estou sendo moldado pelo amor do Pai-Mãe e dos Irmãos que acompanham meus passos.
  De meus olhos não saem mais fagulhas de ódio, mas rios salgados de gratidão. Um sal este que purifica minha alma, de dentro para fora, um banho de luz.
  No entanto, ainda continuo fraco e covarde, incapaz de brilhar como os Sóis que iluminam o caminho que percorro com passos titubeantes. Minha veste está encardida, preciso limpá-la na "lavanderia" das existências. Sigo tentando absorver as lições que me são oferecidas como ensejo de crescimento interior. Fui, sou e sempre serei o responsável pelos meus méritos e desventuras. Tenho muito que aprender, preciso perder o medo do amor.
  Já vivi nas trevas, hoje busco a luz. No espelho interior já não vejo a imagem do vulto disforme e obscuro, mas uma pequena e resoluta chama.  De cabeça erguida, sigo recompondo a minha estrutura, construindo a dignidade dos sonhos que aspiro, estou seguindo o Sol por que um dia quero brilhar!